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peru.travel
Friday, June 12, 2020
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No Peru, a organização territorial divide-se em 24 regiões, além da Província Constitucional do Callao. 11 delas (Tumbes, Piura, Lambayeque, La Libertad, Áncash, Callao, Lima, Ica, Arequipa, Moquegua e Tacna) têm a sorte de ver em seu horizonte o glorioso Mar de Grau, denominação recebida pelo território marítimo do Peru nas águas do Oceano Pacífico.
Mas o que estes lugares têm em comum, além de compartilhar o mar de todos os peruanos? De norte a sul, das quentes praias de Tumbes até o frio mar de Tacna, a astúcia, a esperteza e a criatividade de sua gente fazem com que surjam palavras, gírias, frases e expressões muito características, que já passaram a ser utilizadas em todo o território peruano.
Nesta nota você poderá conhecer um pouco mais sobre o vocabulário do povo costeiro no Peru. Você sabe o que significa “Batería”? Não, não é um dispositivo que produz eletricidade. A que se refere a frase “pelar las muelas”? Não tem nada a ver com dentes ou dentistas. Você sabe quem é Johnny Pacheco? Não é preciso ser um especialista em salsa para descobrir.
A seguir lhe apresentaremos os peruanismos costeiros mais utilizados nas regiões norte, centro e sul.
‘Pe’: esta conjunção é, na verdade, uma contração da palavra ‘pues’ (pois, que pode significar ‘então’). Exemplo: “Vente a mi casa, ‘pe’” (venha para minha casa então). Costumava ser usada exclusivamente no norte, mas hoje em dia é utilizada em todo o Peru. Até no exterior é sabido que este é um dos modismos favoritos dos peruanos.
Mas o ‘pe’ não é a única expressão que abre ou fecha as frases no Peru. Por exemplo, em lugares como La Libertad, Piura e Lambayeque, utilizam a palavra ‘di’ no final das orações. Em Piura e Tumbes, usam inclusive o ‘gua’: “‘Gua’, paisano, se ha enfermado mi mula”.
‘Oe’: é a contração de ‘oye’ (ouça) e é usado para chamar a atenção de alguém, mas de forma coloquial (como ‘ei’). “Oe, trabaja pe” (ei, trabalhe então) pode ser uma combinação muito utilizada.
‘Yara’: É uma expressão de origem incerta que significa ‘cuidado’, ‘atenção’. É usada deste modo: “Oe, yara con soltar ese jarrón, es de cristal delicado” (ei, cuidado para não soltar este vaso, é de cristal delicado). Apesar de ser antiga, as crianças ainda a utilizam em certas ocasiões: “Oe, yara, ahí viene mi mamá” (ei, cuidado, minha mãe vem aí).
‘Causa’: No Peru, esta palavra não é usada apenas para se referir ao tradicional prato à base de batata. Popularmente, ‘causa’, significa ‘amigo’. “Habla pe, causa” (então fale, meu amigo) é uma forma muito comum de cumprimentar, especialmente entre pessoas conhecidas. E tem seus sinônimos: ‘mano’, ‘chochera’, ‘choche’ e ‘batería’. Os três primeiros ainda possuem seus respectivos diminutivos afetuosos: ‘manito’, ‘chocherita’, ‘causita’.

Catedral de Tumbes, região onde você pode ouvir gírias e expressões locais pelas ruas. 'Gua, churre, pelar las muelas' são algumas delas.
Crédito: Marco Garro / PromPerú.
Churre: em Piura e Tumbes, se entende como criança. “Ese churre es bien inteligente” (este menino é muito inteligente), dizem nesta região.
'Modéeeeerate': É a forma de dizer ‘comporte-se bem ou acalme-se’, assim, com o ‘e’ bem prolongado. “Oye, churre, estás diciendo sandeces, modéeeerate” (ei, moleque, você está dizendo besteira, comporte-se).
'Pelar las muelas': esta expressão antiga é usada para se referir ao ato de rir (muelas são os dentes molares). “Oe, causa, ya deja de pelar las muelas, pe” (ei, amigo, pare de dar gargalhadas) seria um exemplo de uso.
‘Bacán’: É um adjetivo utilizado para tudo aquilo que seja agradável ou positivo. “El mural quedó bien bacán” (o mural ficou muito bacana). A palavra ‘Chévere’ é equivalente e tem algumas variações, como ‘Cheverengue’ e ‘Chevrolet’. “¿Cómo te sientes, batería?” (como você está, amigo?) “Chevrolet” (bem).
‘Manyas?’: é uma expressão usada para indagar se a outra pessoa está entendendo o que está sendo dito. “Tienes que ajustar bien los pernos así, ¿manyas?” (você precisa apertar bem os parafusos assim, ‘tá ligado?) Em seu modo afirmativo, adquire o mesmo sentido. “La verdad no manyo a ninguna de las personas de esta fiesta” (na verdade eu não saco quem é ninguém nesta festa).

Nas ruas de Lima podem ser ouvidos constantemente frases, expressões e peruanismos. As mais comuns são “causa, manyas, latear, palta”.
Crédito John Calixto / PromPerú.
‘Clarinete’: é um instrumento de sopro, sim. Mas na costa central do Peru, a expressão também é usada como uma variação do termo ‘claro’. “Tienes dinero suficiente?” (você tem dinheiro suficiente?) As respostas seriam “clarinete” ou “clarines”.
‘Latear’: refere-se popularmente ao ato de caminhar. “Vamos a latear por ahí” (vamos andar por aí) é uma expressão muito usada pelos jovens.
‘Jatear': é o ato de dormir. “Es muy tarde, ya me voy a jatear” (já está tarde, vou dormir), é usado para comunicar que a pessoa está indo descansar. Te algumas variações, como “Me quedé ‘jato’” ou “Está ‘jatazo’”. ‘Jato’ também significa casa ou lar: “Se quedó a dormir en mi jato” (dormiu na minha casa).
Johnny Pacheco: para os fãs de salsa, este músico de origem dominicana é um compositor pioneiro do gênero. Mas no Peru, seu nome também é usado como uma variação do pronome ‘yo’ (eu). Exemplo: “¿Quién se encargará de atender a los invitados?” (quem vai atender os convidados?) “Johnny Pacheco” (ou seja, eu).
‘Por las puras’: Esta expressão de desânimo equivale a dizer “em vão”. Exemplo: “Subimos la colina por las puras, no divisamos ni una sola alpaca” (subimos a colina em vão, não encontramos nenhuma alpaca). Antigamente, também era comum dizer ‘por las wiflas’, com um sentido idêntico.
‘Estar chuma’: esta frase está vinculada aos habitantes da costa de Arequipa e é utilizada quando algum refresco ou bebida está muito doce. Um exemplo seria: “Este jugo ‘está chuma’” (este suco está muito doce).
‘Coro’: não, não se trata de um grupo de canto. No sul do país, se utiliza a palavra ‘coro’ para se referir a uma criança travessa. “Este coro siempre está corriendo” (este moleque está sempre correndo) seria um exemplo.
‘Charchasúa’ / ‘Charchasuga’: em Arequipa é o termo popular para “libélula”.
‘Palta’: não se refere à fruta conhecida no mundo inteiro como abacate. É um termo que, conforme o contexto, significa vergonha ou medo. “Qué palta tener que cantar frente a todos” (que vergonha de cantar na frente de todos), se usa neste caso para denotar timidez. “No te ‘paltees’ por el temblor”, significa ‘não tenha medo’.
‘Pasar piola’: esta expressão usada na costa peruana significa ‘passar despercebido’ ou ‘sair de um problema sem nenhum dano’. “La maestra me buscó por todo el colegio pero yo me metí al baño y logré pasar piola” (a professora me procurou por todo o colégio, mas eu me escondi no banheiro e consegui me safar), ou “Felizmente mi familia y yo pasamos piola esta pandemia” (felizmente minha família e eu saímos ilesos desta pandemia).
‘Nos vemos en el ferroca’: esta frase é de uso exclusivo do povo de Tacna. Significa encontrar-se na praça, já que existe um trem (‘ferrocaril' ou 'ferroca’) antigo muito próximo à terceira brigada de cavalaria de Tacna.

Trem situado na frente da terceira brigada de cavalaria de Tacna. Daqui nasce a expressão “nos vemos en el ‘ferroca’”.
Crédito: Juan Puelles / PromPerú.
Fontes: Babbel / Lima 2019
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