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peru.travel
Monday, June 15, 2020
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Eram os últimos dias de abril de 1888 e María Pinto se preparava para receber seu sexto filho. Assim, no dia 27 daquele mês, em Ica, nasceu um dos principais escritores de contos do Peru: Abraham Valdelomar.
Valdelomar passou grande parte de sua infância entre Pisco e Chincha. Estes são os lugares que, anos mais tarde, exerceriam uma importante influência sobre sua obra literária. Aos 12 anos, chegou a Lima para continuar seus estudos no colégio Guadalupe e, posteriormente, entrar na Faculdade de Letras da Universidad Nacional Mayor de San Marcos. Em 1910 incorporou-se ao exército e começou a escrever crônicas para o jornal El Diario de Lima.
Usando o pseudônimo de Conde de Lemos, desenvolveu um trabalho jornalístico e artístico curto, porém admirado. Desde contos até caricaturas, passando por poesia e crônicas de humor, Valdelomar praticou uma literatura de linguagem simples, que evocava os seus anos vividos no interior. Muitos de seus relatos estão entre os melhores que já foram escritos no Peru. Abraham Valdelomar morreu em Ayacucho no dia 3 de novembro de 1919, aos 31 anos de idade.
Descubra a seguir algumas das obras de literatura deste grande escritor peruano:
Yerba santa (Erva santa). “Novela pastoril, escrita aos dezesseis anos, em minha triste e dolorosa infância, inquieta e pensativa, que eu exumo em homenagem ao meu irmão José”; é assim como o próprio Valdelomar definiu esta publicação, que apareceu na revista Mundo limeño em 1917. A história centra-se em Manuel, um jovem que era muito unido à família de Abraham e que ocultava uma enorme tristeza por causa de um amor que nunca voltou. Devido a esta pena, decide suicidar-se, fato que causou muita dor para Valdelomar e seus irmãos, uma dor que persistiria durante muitos anos.
La ciudad muerta (A cidade morta). Este romance foi publicado em 1911, em cinco partes, pela revista La Ilustración Peruana. Nele, Valdelomar, usando o formato de cartas trocadas com um amigo, explica a Francinete - sua namorada francesa- os motivos pelos quais teve que ir embora, um dia antes do seu casamento com ela.
La ciudad de los tísicos (A cidade dos tuberculosos). Publicada em doze partes na revista Variedades em 1911, é ambientada em dois lugares: Lima e a cidade B (Chosica). Nesta última, moram os tísicos, ou seja, pessoas infectadas com tuberculose pulmonar. Uma destas pessoas era Abel Rosell, com quem o narrador da história troca cartas. Nelas, Rosell lhe contava histórias cujos protagonistas eram personagens estranhos que tinham esta doença.
Você pode ler este romance aqui.

Crédito: RPP
O Caballero Carmelo (O Cavaleiro Carmelo). Considerado um dos melhores contos da literatura peruana, foi publicado em 1913 pelo jornal La nación de Lima. A história se desenvolve em um ambiente provinciano rural onde o Caballero Carmelo -um velho galo de briga- deve enfrentar um rival mais jovem: o Ajiseco. Honrando sua trajetória e sua fama, Carmelo ganha a briga, mas fica gravemente ferido e pouco depois morre, diante da dor e da perplexidade de seus donos. O tema central é o amor-próprio e a valentia, que nos permitem tirar forças da fraqueza e superar qualquer obstáculo. Também é retratada a vida familiar no lar do narrador-protagonista (incluídas as peripécias do galo “Pelado”) e a vida dos pescadores da enseada de San Andrés, perto de Pisco.
El vuelo de los cóndores (O voo dos condores). Publicado em 1914 pelo jornal La opinión nacional, desenvolve-se no porto de Pisco. Lá, Abraham, aos 9 anos, descobre o mundo do circo e se apaixona por uma menina - apelidada Miss Orquídea-, que atuava como trapezista e apresentava o show O voo dos condores.
Los ojos de Judas (Os olhos de Judas). Foi publicado no mesmo ano e no mesmo jornal que o conto anterior, e narra um terrível episódio da infância do autor: o resgate do cadáver de uma mulher afogada no mar, em um sábado de Glória.
O dado:
- O escritor de Ica está nas notas de 50 sóis do Peru.
- “O Peru é Lima, Lima é uma parte da União, a parte da União é o Palais Concert, o Palais Concert sou eu”, é uma das frases mais famosas de Abraham Valdelomar.
Fontes: UNMSM / Canal IPE / Diario Inca
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